Sacola plástica causa controvérsias

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Usada principalmente para recolher lixo doméstico, produto é alvo de fiscalização em Volta Redonda

Em vigor desde 15 de julho deste ano, a lei estadual 5.502 - que se tornou conhecida como "lei das sacolas plásticas" - ainda divide consumidores e comerciantes. E em Volta Redonda não é diferente. A legislação determina a substituição do plástico por material biodegradável ou reciclável. O que se pode observar, no entanto, é que a controvérsia se sustenta principalmente porque as sacolas plásticas são usadas, além de se carregar compras, para uma outra finalidade: o armazenamento de lixo.

"Acho a lei ruim porque tenho um bar e uso as sacolas plásticas para pôr o lixo. Além disso, tudo o que compramos vem em embalagens plásticas, como carne, verduras e frutas. De que adianta eu parar de usar as sacolas se o plástico chega de outras formas? Deveria haver outra solução", entende a empresária Maria Helena Bellei. As donas de casa são as que mais destacam a praticidade das sacolas. "Vamos ter que comprar outras, também de plástico, o que não vai mudar em nada a situação ambiental, além de gerar mais um gasto fixo no orçamento", reclama a dona de casa Valéria Cristina.

O comércio, no entanto, está sendo fiscalizado para que a lei seja cumprida, garante o secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Amaro. Além da secretaria, a fiscalização está sendo feita, disse ele, pelo Inea (Instituto Estadual do Ambiente). De acordo com Amaro, estão sendo multados os estabelecimentos que não ostentam placas explicando ao consumidor os danos que as sacolas plásticas causam ao ambiente e incentivando o uso de material reutilizável. O valor da multa pode chegar a R$ 30 mil, dependendo do número de itens descumpridos.

A secretaria já notificou e até multou estabelecimentos. "Com essas medidas pretendemos reduzir em 30% o uso de sacolas plásticas em Volta Redonda. Acho que os grandes estabelecimentos que buscam cumprir a lei deram um passo importante para que a população se conscientize", afirma o secretário. Não há números precisos sobre o volume de sacolas plásticas consumidas na cidade, mas, no Brasil, a estimativa é de 12 bilhões por ano - ou seja, 1,5 milhão a cada meia hora. Feita a partir a partir do petróleo ou do gás natural, cada sacola leva até quatro séculos para se dissolver na natureza.

Por enquanto, é possível perceber que as grandes lojas são as mais propensas a cumprir a lei, até mesmo por causa da fiscalização. Numa delas, de departamentos, na Vila Santa Cecília, as sacolas plásticas já foram praticamente abolidas, mas depois de uma notificação da Secretária de Meio Ambiente. "Não retiramos totalmente, mas damos outras opções. Vendemos as sacolas reutilizáveis e, se o cliente estiver desprevenido, oferecemos uma sacola já usada, mas não uma nova", explica o gerente comercial Luciano Luiz da Silva.

Para isso foi instituída uma campanha para recolher sacolas usadas: o cliente deposita a sua na loja (mesmo que seja de outro estabelecimento comercial) e ela será usada por quem não tiver como levar os produtos comprados. Segundo o gerente, a aceitação vem sendo boa: "A cada 10 clientes que oferecemos as sacolas reutilizáveis nove aceitam. As pessoas estão mais conscientes de que os sacos plásticos agridem muito a natureza".

A professora Maria de Fátima está entre os consumidores favoráveis à lei. "O plástico prejudica muito o planeta, precisamos diminuir o uso, substituir por materiais menos prejudiciais", argumenta. Ela tem duas sacolas reutilizáveis, que leva sempre quando vai às compras: "Trago sempre na bolsa, porque às vezes saímos sem intenção de comprar, mas nos interessamos por algo, então é melhor já carregar por precaução".

Lei prevê desconto para o consumidor

Na filial de uma rede de supermercados, no Aterrado, a diminuição já vinha acontecendo antes mesmo de a lei entrar em vigor. A empresa fez uma campanha incentivando o uso da sacola ecológica e a política de não colocar menos que cinco produtos na de plástico, a fim de combater o desperdício. A fiscal de balcão Genilda Ferreira Henriques conta que, com a lei, aumentou o número de clientes que procuram embalagens reutilizáveis: "Temos promoções que incentivam os consumidores a buscar alternativas menos degradantes ao meio ambiente. Sorteamos viagens para a Ilha Grande e também damos sacolas ecológicas para aqueles que fizerem cinco compras sem usar sacola plástica".

O procedimento da empresa é perguntar ao cliente o que ele prefere antes de passar as compras no caixa. São oferecidas as sacolas reutilizáveis e também caixas de papelão de graça - opção que não pesa no bolso.

No entanto, o consumidor deve levar em conta que, conforme a lei (artigo 3º), o consumidor que optar por não usar as sacolas plásticas deve ganhar desconto nas compras. A cada grupo de cinco itens levados, haverá um abatimento de R$ 0,03 do valor total da compra. O consumidor que devolver sacolas plásticas - que serão recicladas - também deve ser beneficiado: a cada 50 unidades, deve receber um quilo de arroz ou feijão. Segundo a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, até 2012 todos os estabelecimentos deverão estar adaptados. Neste caso, o meio ambiente agradece.

FONTE: JORNAL FOCO REGIONAL

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