Contratados para trabalhar durante a campanha, apoiadores chegam a receber R$ 300 por quinzena

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Saiba quem são e como trabalham as pessoas que servem de "mobiliário urbano" durante a campanha eleitoral

A tendência é que o número de pessaoas contratadas aumente com a proximidade do dia três de outubro

Todo ano que tem eleição, é o mesmo filme: milhares de placas e bandeiras espalhadas pelas ruas da cidade, sendo portadas por pessoas de diferentes idades e tipos. É mãe com criança de colo, jovem com mochila da escola, um adolescente escutando música, um ou outro lendo um livro... enfim, é muita gente.

Mas o que poucos eleitores observam são as condições em que estas pessoas se encontram. Muitas vezes, elas contam com a "compaixão" de comerciantes para beber água ou usar um banheiro. Ainda assim, ainda correm o risco de serem advertidos pelos supervisores por estar fora do "posto de trabalho". A equipe do Expresso Regional foi às ruas de Macaé conhecer um pouco sobre estes funcionários temporários e descobriu que o trabalho, por mais ingrato que ele possa parecer, acaba se tornando, para muitos, "uma luz no fim do túnel".

É o caso da promoter Lindalva (que pediu para não ter o sobrenome divulgado, com medo de perder o serviço), que trabalhava, até duas semanas atrás, como atendente em uma grande rede de pizzarias na cidade. Desempregada, precisando de dinheiro para ajudar nas despesas da casa, ela conseguiu o "bico" de segurar placa e entregar panfleto. "Uma amiga sabia da minha situação e me indicou para este trabalho, que eu acho legal, mas é passageiro. É uma oportunidade que eu não podia desperdiçar", afirmou.

Segundo ela, o trabalho consiste em ficar, durante meio período (cerca de cinco horas), segurando uma placa com dois candidatos (um a deputado federal e outro a estadual) e distribuir o panfleto a todos que passam pela rua. Salário: "Ah, isso varia. Tem gente que ganha entre R$ 250 a R$ 300 por quinzena. É um dinheiro que ajuda".

Eleitora de Macaé, Lindalva conta que esta é a segunda eleição que trabalha com esta função. A primeira foi em 2008, nas Eleições municipais. E, para ela, é um trabalho digno como qualquer outro. "Eu recomendaria e indicaria outras pessoas para este trabalho. Não há nada demais. Só não acho certo estas pessoas que ficam com criança de colo, no sol. Mas isto aqui para mim é um passatempo", disse a promoter.

Outra pessoa que também encara esta função "temporária" é o operador de telemarketing Carlos. Apesar de ter chegado a este trabalho por um caminho diferente de Lindalva, o objetivo é o mesmo. "Sou filiado a um partido, que me liberou para trabalhar para outro candidato. Eu falei que esta é uma boa oportunidade de melhorar a minha renda e que eu não poderia deixar de 'pegar'". O operador explicou que, como trabalha uma vez por semana, tem outros dias de folga para ter outra ocupação. "E este trabalho me dá um dinheiro extra para ajudar nas despesas", completou, dizendo que esta é a quarta eleição atuando desta forma.

Carlos ainda defendeu a atividade no período eleitoral, pois é um trabalho "limpo" que ajuda muita gente. "Tem muita gente pela cidade que precisa de um bico como este, para comprar um leite ou um feijão para os filhos, já que o mercado não dá muitas opções para quem tem pouca escolaridade, apesar deste não ser o meu caso". Mas, e na hora de votar, trabalhar para o candidato, significa que o voto foi conquistado? "É ruim. Não voto nele de jeito nenhum. Estou aqui só trabalhando, não vou votar neles não", enfatiza a moça, preferindo esconder as suas opções de voto. O operador Carlos trata a questão com mais naturalidade. "Sou filiado a um partido e este candidato que eu estou trabalhando faz parte da coligação. Então, estou trabalhando por alguém que eu acredito", explicou.

Apesar de ser um trabalho que movimenta centenas de pessoas, a contratação delas é algo "sigiloso". Alguns comitês evitam comentar sobre o tema, chegando a enfatizar que "este tipo de prática é algo abominável". A exceção foi o comitê do candidato a reeleição Carlos Minc, situado no Centro, onde o responsável afirmou que "a política de publicidade adotada em Macaé não contempla a contratação de pessoas para segurar placas nas ruas".

Entretanto, se você que está lendo esta matéria, se interessou pela função, procure um comitê eleitoral de um candidato que realmente acredite e se ofereça para o cargo. A tendência, segundo pessoas que lidam diretamente com campanhas, é que o número de contratados (e também o de placas e faixas) aumente com a proximidade do dia três de outubro.

FONTE: JORNAL EXPRESSO REGIONAL

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